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O trabalho e sua transformação ao longo da História Avaliar tópico: -----

#1 Membro online   _ronin_ 

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Postou 27 de julho de 2012 - 15:30:20

O trabalho e sua transformação ao longo da História

Exclusivo NowLoaded




Antecedentes Históricos do Trabalho Hipóteses sobre a origem do termo

Quando ouvimos alguém dizer a palavra "trabalho" o que, normalmente, vem à nossa consciência, de forma basicamente automática, é o conceito de atividade produtiva desempenhada regularmente por um ou mais indivíduos, reconhecida socialmente e geralmente remunerada. Entretanto, existem diferentes definições a respeito do referido vocábulo, na física, por exemplo, sua definição é a de quantidade de movimento produzido por uma força, e sua unidade é joule, bem, isso não nos diz grande coisa. Quanto à sua etimologia, é difícil encontrarmos uma palavra com tantas amplas significações. Entre os gregos (e na antiguidade em geral), o trabalho era visto como um castigo, como uma dor, uma pena a ser paga. Se pegarmos o termo grego pónos, que significa 'trabalho', veremos que ele tem a mesma raiz que a palavra latina poema, cujos derivados para o português significam, 'fadiga', 'trabalho' e 'pena'. Alguns estudiosos propõem que o significado e a palavra originaram-se do latim tripalium (tri equivale a três e palum equivale a pau), sendo este um instrumento de tortura composto de três estacas de madeira. Uma variante do termo tripalium é trepalium, um cavalete de três paus usado para sujeitar os cavalos no momento de lhes por as ferraduras e, por extensão, trapaliare a ação de ferrar o animal. Os termos tripaliare e trapaliare influenciaram vários idiomas de origem latina, entre eles o francês travailler, o espanhol trabajar, o italiano traballare e o português trabalhar. De qualquer forma o vocábulo permanece atado à idéia de castigo, de penar, e nos remete à seguinte questão: quando o trabalho, na forma como o concebemos hoje, passou a ser sinônimo de castigo, de tortura?

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Tripalium: instrumento de tortura

O Surgimento do Trabalho como Atividade Humana


O surgimento do trabalho está intimamente ligado à própria gênese do ser humano, sua história é tão antiga quanto à do homem, em muitos momentos elas se confundem, mas por incrível que pareça nem sempre trabalho foi sinônimo de tortura como a etimologia da palavra demonstra. Em seu artigo Realize-se e Realize Mais, o professor Ricardo Mallet nos diz: "É mesmo difícil de imaginar, mas já houve um tempo em que não precisávamos trabalhar para viver. Naquela época, nossa comida era banana e nossa casa um galho. Tudo o que necessitávamos estava ali, ao alcance das nossas mãos. Vida simples, pouco stress. Passávamos o tempo comendo, brincando, namorando e descansando. E vivíamos felizes! Um verdadeiro paraíso." Entretanto, onde foi mais ou menos que isso começou? Bem, podemos iniciar pelo mais antigo mamífero que hoje conhecemos cujo nome recebido foi Purgatorius Ceratops e que procede da Era Mesozóica (248 a 65 milhões de anos) período Cretáceo Superior (70 milhões de anos), é provável que ele tenha sido o predecessor de todos os demais mamíferos, incluindo os primatas e, consequentemente, do homem.


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Reconstituição provável do Purgatorius Ceratops

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Chama-se Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada o mais longo período da evolução humana, a qual se estendeu de 500.000 a.C a 10.000 a.C. Comparados a ele, os tempos históricos posteriores representam apenas alguns minutos na longa jornada da humanidade. Somente a completa descida das árvores para a vida em solo levou muito tempo. Os primeiros vestígios de um ser semelhante ao homem foram encontrados no sul e leste da África, mais precisamente na década de 1950 em um lugar chamado Olduvai, na atual Tanzânia. Tal hominídeo foi denominado de Australopithecus. A sobrevivência desses primeiros hominídeos era garantida através da coleta de frutos, raízes e pequenos insetos.

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Os primeiros hominídeos carnívoros deviam consumir pequenos animais, como répteis e roedores, e comerem a carne de algum grande animal morto que porventura encontrassem. Entretanto, essa forma de buscar alimentos não devia dar resultados satisfatórios, o que, muito lentamente, se transformou na caça propriamente dita. Não tinham dentes apropriados para rasgar a carne, mas tinham dois grandes diferenciais em relação aos demais animais: mãos e maiores cérebros, o que os levou a manufaturarem instrumentos de pedra lascada.

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Com o início da caça, houve também divisão de tarefas entre os machos e as fêmeas, os machos caçavam enquanto as fêmeas permaneceram na coleta. Com o tempo aprenderam a manufaturarem instrumentos mais sofisticados, como arpões e anzóis feitos de ossos, machadinhos e pontas de lança feitos de pedra. Viviam em pequenos grupos e eram nômades, ou seja, a escassez de alimentos ou a hostilidade do meio ambiente os obrigava a deslocarem-se sempre em busca de melhores condições de sobrevivência. Durante esses sucessivos deslocamentos, habitavam fendas, cavernas ou faziam cabanas que eram cobertas com galhos e folhas de árvores, capim ou pele de suas caças. Mais tarde descobriram que com um arco podiam atirar pequenas lanças com ponteiras de pedra, estava inventado o arco e flecha, o que possibilitou um salto significativo no trabalho de caçar. Esse período durou até por volta de 100.000 a.C., com o fim da última era glacial, o que os obrigou a migrarem em direção aos trópicos e a se espalharem por diversas regiões do globo. Ao mesmo tempo em que o clima foi modificado, perceberam que ao jogarem fora as sementes, estas brotavam e delas se originavam as mesmas plantas das quais havia sido colhida e, consequentemente, a outras sementes ou frutos. Assim, inaugurava-se a agricultura, e inerente a ela o modo de vida sedentário. Em seguida o homem aprende a domesticar alguns animais e passa criá-los não somente com a finalidade de sustento, mas também os utiliza em suas tarefas diárias.

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Nesta época surgem os primeiros artesãos. Se até então, a terra pertencia a todos e tudo o que era colhido era distribuído de acordo com a demanda de cada "família", com o surgimento da idéia de propriedade privada o mundo do trabalho e o mundo nunca mais seriam os mesmos. Os homens aprendem a fundir metais, melhoram a qualidade de ferramentas e armas, com a domesticação do cavalo passam a usá-lo para puxar o arado, o que aumenta significativamente o rendimento das plantações. Nasce o escambo, devido excedente, entre as tribos. O desejo de facilitar seu trabalho e o desenvolvimento bélico/militar de algumas tribos induzem os homens a se apossarem do trabalho de outros em benefício próprio, nascia assim a escravidão. Os opressores se autodenominam livres e passam a conceber o trabalho físico como digno dos não-livres. Inicia-se o comércio. Esse período que inicia por volta de 100.000 a.C. e prolonga-se até meados de 4000 a.C. foi denominado de revolução neolítica. O regime de escravidão permanece durante todo o período histórico posterior, ou seja, a Idade Antiga. A decadência interna do império romano somada às chamadas invasões bárbaras, dão início ao período denominado de Idade Média. Os comandantes bárbaros tornam-se os senhores das terras outrora pertencentes à aristocracia romana e transformam a antiga relação de trabalho de escravidão à servidão. Os servos eram semi-livres e estavam obrigados a viver nas propriedades dos senhores feudais. Trabalhavam a terra deste último e em troca recebiam um pequeno lote de terra que deveria ser trabalhado por conta própria. Todos instrumentos e ferramentas necessárias ao trabalho, que o servo usava, pertenciam ao senhor feudal, para quem o servo pagava uma série de tributos e impostos bastante onerosos.


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A idade média foi palco de duas classes sociais: de um lado os nobres (compostos pelo rei, seus vassalos e o clero) e de outro os servos (semi-livres), artesãos, comerciantes e toda sorte de vagabundos, miseráveis, vilões, etc. A atividade comercial se intensifica, sobretudo nas regiões sul e norte da Europa. Ao lado de pequenas unidades artesanais começam a surgir as primeiras e primitivas empresas compostas de trabalhadores livres. As vilas e as cidades crescem tanto que, por volta do século XIV, em algumas regiões, metade da população havia sido deslocada às atividades comerciais e artesanais. Multiplicam-se osburgos, que eram verdadeiras fortalezas onde habitavam os comerciantes e os artesãos. Entretanto, esses burgos situavam-se dentro das terras dos senhores feudais e, portanto, estavam submetidas às mesmas leis que os servos, ou seja, o pagamento de tributos. Estas cidades procurariam buscar emancipação, seja por meios pacíficos, seja por meio de lutas armadas. As que se emancipavam procuravam assegurar suas conquistas por meio das cartas de franquia, que eram documentos através dos quais se formalizavam as conquistas da burguesia. Nestes burgos medievais, as instituições econômicas básicas eram as corporações de mercadores e as corporações de ofício. As corporações de mercadores eram associações que buscavam garantir o monopólio do comércio local enquanto as corporações de ofício visavam manter o monopólio de seus ramos de atividade. O posto mais alto na organização hierárquica das corporações de ofício era ocupado pelo mestre artesão, o qual também era o proprietário da oficina, ferramentas, matéria prima e produto final. Abaixo do mestre vinham os oficiais, cujo trabalho era remunerado, e por último vinham os aprendizes que em troca da sua força de trabalho recebiam vestuário, alojamento e alimentação. No final da Idade Média, devido a intensificação do comércio, a mobilidade hierárquica nas corporações ficou bastante reduzida. O enriquecimento de uma parcela dos mestres artesãos levou-os a adquirir o controle e a exclusividade daquelas atividades artesanais. A crescente exploração da mão-de-obra assalariada possibilitou que muitos proprietários de oficinas prosperassem o suficiente para deixarem de ser mestres artesãos e se tornassem burgueses empregadores. A burguesia, emergente como classe social, com o advento da expansão marítima que a expande e a fortalece, descontente com o regime feudal e com desejo de mais poder, já um tanto articulada, se empenha ainda mais em acabar com os impérios da nobreza e clero. Iniciava-se o período das revoluções burguesas que culminaria na tomada do poder político, pela burguesia, ao encerramento da Revolução Francesa (1789-1799), também chamada de Revolução Burguesa.

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Ilustração sobre a queda da Bastilha
Em 1698, Newcomen inventa uma máquina movida a vapor para drenar a água acumulada nas minas de carvão, posteriormente Watt a aperfeiçoa. Esse invento deflagra a revolução industrial e serve de base para a mecanização de toda a indústria. O surgimento da mecanização industrial operou significativas transformações não somente no mundo do trabalho, mas também em quase todos os setores da vida humana. Foi o advento da máquina a vapor e sua utilização no mundo do trabalho que separou definitivamente os donos do capital dos que deviam vender sua força de trabalho, pois os artesãos foram sumindo sendo substituídos por operários que, submetidos à exploração, não tinham alternativas. Deste período até nossos dias, tanto o trabalho quanto as chamadas "relações de trabalho" são permeadas pelos detentores do capital.


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Tempos Modernos: Carlito em sua bem-humorada crítica às formas de subjetivação contemporânea.

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Referências

FILHO, Evaristo de Moraes; MORAES, Antonio Carlos Flores de. Introdução ao direito do trabalho. 8. Ed. São Paulo: LTr, 2000. p. 23-29.

HERRERA, Mercedes Cano, et al. Manual de historia universal. Madrid: Ediciones Najera, Vol. 1. 1987. p. 51-134.

ROBERTS, John M. História universal ilustrada. Madrid: Editorial debate, Vol. 1. 1980. p. 08-107.

VICENTINO, Cláudio. História geral. São Paulo: scipione ltda, [198?]. 351 p.


http://www.brasilesc...paleolitico.htm


http://www.brasilesc...g/neolitico.htm


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Obs: este texto é parte de um trabalho acadêmico e seu conteúdo foi pesquisado e editado por mim. Para mais detalhes sugiro buscá-los nas referências citadas acima.

Este post foi editado por 'ronin: 18 de agosto de 2012 - 12:08:40

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